
O número expressivo não representa apenas participação — ele revela algo mais profundo: a indignação da população com o atual modelo de gestão da água.
Quando o governo do Estado, liderado por Eduardo Leite, decidiu privatizar a Companhia Riograndense de Saneamento, posteriormente assumida pela Aegea Saneamento, a promessa era clara: mais eficiência, investimentos e tarifas mais justas.
Mas o que muitos consumidores têm percebido na prática é diferente: contas mais altas, serviços questionados e dificuldade para obter respostas.
Diante desse cenário, nasce em nossa cidade um movimento legítimo e democrático. Ao lado do vereador Pompeo Filho, iniciamos a coleta de assinaturas para defender a municipalização da água, devolvendo ao município o controle de um serviço essencial à vida.
A municipalização traz benefícios claros para a população.
Primeiro, responsabilidade direta. Quando o serviço é municipal, o cidadão sabe exatamente a quem recorrer e onde reclamar. O responsável está na cidade, próximo da comunidade.
Segundo, mais transparência e fiscalização. A gestão local permite maior controle da Câmara de Vereadores e da própria sociedade sobre investimentos, tarifas e qualidade do serviço.
Terceiro, tarifas mais equilibradas. Sem a lógica exclusiva do lucro, o interesse público pode prevalecer.
Quarto, os recursos permanecem na cidade. O que é arrecadado pode ser reinvestido na ampliação das redes, na melhoria do abastecimento e na infraestrutura local.
Esse debate não acontece apenas em nossa cidade. Pelo contrário, ele já ocorreu em várias partes do mundo.
Em diversas cidades europeias, a privatização da água foi adotada no passado, mas acabou gerando frustração. Por isso, muitas voltaram atrás.
Foi o caso de Paris, que retomou o controle público do sistema após anos de gestão privada. O mesmo ocorreu em Berlim, onde a pressão popular levou à recompra do sistema de abastecimento.
Na Espanha, Barcelona também debate o fortalecimento da gestão pública da água. Já em Nápoles, na Itália, a água passou a ser administrada por uma empresa pública municipal. Outro exemplo é Budapeste, que retomou o controle público do serviço.
Essas experiências mostram uma lição importante: água não é mercadoria. Água é um direito humano fundamental.
Diante desse cenário, cabe também ao prefeito de Ijuí ouvir o recado das ruas. Quando quase quatro mil pessoas se manifestam em poucos dias, não se trata apenas de um movimento político, mas de uma clara manifestação da vontade popular, que merece atenção e responsabilidade do poder público.
O movimento que começa em Ijuí não é contra ninguém.
Ele é a favor da cidade, da transparência e da cidadania.
Por isso, faço um convite sincero à população: venha até a praça, participe, dialogue, assine o abaixo-assinado e faça parte desse momento democrático.
Porque defender a água é defender nossa cidade.
Defender a água é defender nosso futuro.
A água é vida. E aquilo que garante a vida do povo não pode ser tratado como mercadoria. Vamos em frente.
César Busnello
Vereador do Partido Democrático Trabalhista 