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Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue do Butantan após duas mortes suspeitas

Em fevereiro de 2026, a 17ª CRS de Ijuí recebeu 822 doses do imunizante produzido pelo Instituto Butantan.

Matéria Publicada em: 08/06/2026
Foto: Instituto Butantan/Divulgação

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O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8/6) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de duas mortes suspeitas e de casos de reações adversas graves em pessoas imunizadas.

Conforme o governo federal, cerca de 500 mil doses da vacina Butantan-DV foram aplicadas até o dia 30 de maio. Nesse total, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% das aplicações. Desses casos, 42 apresentaram sinais compatíveis com dengue grave e foram classificados como severos, representando 0,008% do total de vacinados.

Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não há comprovação de relação direta entre os óbitos e a vacina.

Nós tivemos três casos graves, desses dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência”, declarou.

Segundo o Ministério da Saúde, os casos graves registrados não haviam sido identificados durante os estudos clínicos que levaram à aprovação do imunizante.

Entre os casos investigados estão:

  • uma mulher de 48 anos, que apresentou sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina, com comprometimento neurológico e meningoencefalite;
  • um homem de 58 anos, que desenvolveu febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário.

A vacina Butantan-DV é a primeira vacina contra dengue de dose única do mundo e a primeira totalmente desenvolvida no Brasil. A aplicação começou no início deste ano, inicialmente em profissionais da saúde, que receberam cerca de 417 mil doses.

Outras 83,6 mil doses foram aplicadas em pessoas entre 15 e 49 anos nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO). Conforme o ministério, nessas localidades não houve registro de eventos adversos graves.

Com a suspensão preventiva, estados e municípios devem interromper imediatamente a aplicação do imunizante até a conclusão das investigações. O governo federal informou ainda que reforçará a busca ativa por possíveis novos casos de reações adversas.

A orientação é de que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias fiquem atentas a sintomas como:

  • febre;
  • dor abdominal intensa e contínua;
  • vômitos persistentes;
  • tontura;
  • sangramentos;
  • sonolência intensa;
  • irritabilidade;
  • sinais de desidratação;
  • piora do estado geral.

A medida não afeta a vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda e incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2023. O imunizante segue disponível gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

No Rio Grande do Sul, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) já havia iniciado, em fevereiro, a distribuição das doses da vacina do Butantan. A 17ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), com sede em Ijuí, recebeu 822 doses do imunizante.

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