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À Justiça, autor da morte de sargento aposentado da Brigada Militar alega legítima defesa

Em audiência judicial (22.out.18), o réu Emerson Diniz alegou que “... e daí que ele - Egon - veio pro meu lado, botou a mão na cintura pra sacar uma arma, e eu atirei nele primeiro...”.

Matéria Publicada em: 13/12/2018
Egon Zielinski (E) foi morto a tiros. Autor Emerson Diniz (D) está preso pelo crime. Fotos: Arquivo/Ijuí News.

O autor da morte do sargento Egon José Zielinski, aposentado da Brigada Militar (BM) de Bozano, disse em depoimento à Justiça que agiu em legítima defesa. Egon foi assassinado a tiros, aos 47 anos, na noite de 2 de agosto deste ano, no pátio da empresa dele, um desmanche/sucata de veículos, na Rua José Gabriel.

O réu por homicídio qualificado, Emerson Diniz, 30 anos, natural de Sapiranga (RS), está preso preventivamente desde quando se apresentou à Polícia, oito dias após os fatos.

Em audiência na 1ª Vara Criminal da Comarca local, na data de 22 de outubro de 2018, o réu deu sua versão sobre os fatos.

A íntegra (transcrição) do depoimento do réu

Processo 016/2.18.0004020-8 (CNJ:.0008861-38.2018.8.21.0016)

RÉU: EMERSON DINIZ, nascimento 08/02/1988, pais: Nair Antunes Borges Diniz e Gelci Diniz, profissão: empresário, endereçado à rua Frederico Lohn, n.º 357, bairro Independência, Ijuí/RS. Estudou até a 5ª série.

Cientificado de seus direitos constitucionais.

Juiz: seu Emerson, se o senhor quiser falar sobre o acontecido, é o momento do senhor falar, se quiser ficar em silêncio, é seu direito ficar em silêncio.

Intimado(a): não, vou me expor…

Juiz: tá, então o que aconteceu aquele dia, 02 de agosto de 2018?

Intimado(a): aquele 02 de agosto, tudo tranquilo, entremo num acordo, que eu investia naquele negócio ali, e eu ia retirar o que ele tinha comprado, “os leva”, modo de dizer… é gíria, assim, o leva de coisas que ele tinha comprado pra mim com os meus valores, que eu tinha alcançado pra ele, aí eu tava retirando toda a mercadoria durante o dia ali, dai tinha bastante mercadoria pra tirar ainda, e ele insistia que tava escuro, escurecendo já, que tinha que tirar aquele dia, nem que eu tivesse que clarear o dia, amanhecer puxando, eu tinha que tirar na marra, por bem ou por mal eu tinha que tirar. Isso é um fato.

Juiz: tá, e o que que houve em si, depois, daí?

Intimado(a): em si depois como? Do horário..

Juiz: é, isto daí.

Intimado(a): é, no horário do acontecido o caminhão tinha levado uma caminhonada, que já tinha umas três que tinha levado, daí tava chegando de volta, estacionando o caminhão de volta ali pra carregar mais um pouco….

Juiz: que era o seu Paulo, esse que veio aqui?

Intimado(a): seu Paulo.

Juiz: o senhor tinha contratado o seu Paulo?

Intimado(a): é, nós tinha feito um negócio pra ele vender… ele vende por quilo…

Juiz: ah, vende por quilo. Sucata…

Intimado(a): e daí foi o que aconteceu ali, que eu disse que não tinha mais como carregar aquilo ali, que pra se cortar com sucata é muito fácil, e sem enxergar, lugar ruim… seu Paulo nem estacionar o caminhão não conseguia direito lá…

Juiz: já tava escuro?

Intimado(a): já tava escuro, e ele insistiu, que não… não queria nem saber, eu ia tirar aquilo ali por bem ou por mal, ou ia dar problema… entendeu. E daí inclusive ele me disse que se eu achasse que não tava bom, ele me matava. Daí que ele pegou e subiu lá pra cima, pegou o carro e saiu bem louco, voltou, subiu no escritório dele, voltou, e daí que ele veio pro meu lado, botou a mão na cintura pra sacar uma arma, e eu atirei nele primeiro.

Juiz: tá. Quantos disparos o senhor fez?

Intimado(a): três disparos.

Juiz: era uma pistola?

Intimado(a): uma pistola.

Juiz: o senhor chegou a ver o falecido armado?

Intimado(a): sim.

Juiz: além de levar a mão na cintura o senhor viu que ele tinha uma arma?

Intimado(a): sim, sim.

Juiz: o senhor lembra que tipo de arma? O senhor conseguiu identificar?

Intimado(a): não, na realidade eu sabia que ele sempre usava uma 380, eu já tinha visto com ele, já tinha me mostrado.

Juiz: o senhor soube que essa arma não foi localizada, não apareceu…

Intimado(a): não, eu soube que não foi localizada.

Juiz: bebida aquele dia?

Intimado(a): nós bebemos aquele dia.

Juiz: cerveja? Cachaça?

Intimado(a): cerveja e umas caipira nós tomamo, durante o dia.

Juiz: tá. Ministério Público, dr.?

Ministério Público: quantos tiros você deu?

Intimado(a): três.

Ministério Público: qual era a distância que o senhor tava dele?

Intimado(a): deveria estar uns 4 metros, 5 metros…

Ministério Público: 5 metros é daqui àquela porta ali, mais ou menos, dá uma olhadinha…

Intimado(a): daqui até aquela parede ali, mais ou menos.

Ministério Público: tá, então não dá 5 metros.

Intimado(a): por aí, daqui a parede, assim.

Ministério Público: os tiros que o senhor deu é quando tava de pé ainda?

Intimado(a): como?

Ministério Público: quando ele tava no chão..?

Intimado(a): não, eu dei dois tiros quando ele veio na minha direção, quando ele saiu de trás do caminhão, veio em minha direção, botou a mão na cintura pra ir arrancando a arma dele, e eu dei os dois tiros nele, e sai correndo contra ele, pra cima ali assim, que tem até umas mesas ali que é minha ali, que eu tenho uma fábrica de picolé. Saí correndo, tipo contra ele, pro outro lado do barranquinho, e dei um tiro pra trás assim, só o tiro pra trás.

Ministério Público: ele tava de frente pro senhor?

Intimado(a): sim, ele tava de frente, eu dei os dois tiros e corri contra ele do lado, assim, pra talhar, no caso, em 45.

Ministério Público: quem é o tal de Side?

Intimado(a): não conheço.

Ministério Público: só o senhor que desceu lá no 44?

Intimado(a): eu só desci do caminhão, tava na porta e saí correndo.

Ministério Público: não tinha uma outra pessoa junto?

Intimado(a): não, tinha mais uma pessoa, o Side.

Ministério Público: esse também desceu?

Intimado(a): não vi, eu só sai do caminhão e sai correndo…

Ministério Público: mas ele tava no caminhão?

Intimado(a): tava no caminhão.

Ministério Público: o senhor tinha brigado com o Macho uma vez?

Intimado(a): não, não, brigado não…

Ministério Público: sobre esse desentendimento que foi relatado aqui, esse... o Manco?

Intimado(a): não, não.

Ministério Público: que ele foi empurrado, caiu no chão?

Intimado(a): não, eu não briguei com ele nada.

Ministério Público: tá, mas porque que tão falando aqui que…

Intimado(a): daí.. como diz o outro, eu falo o que…

Juiz: não é verdade?

Intimado(a): não é verdade isso daí, não.

Juiz: ou pelo menos, o senhor não tava junto?

Intimado(a): não, não.

Juiz: se agrediram ele lá…

Intimado(a): mas quando foi comigo não agrediram ele nenhuma vez.

Juiz: nem um empurrão?

Intimado(a): não, não.

Ministério Público: tu era dono do mercado Santa Catarina?

Intimado(a): era.

Ministério Público: tu chegou a vender?

Intimado(a): não, fechei ele.

Ministério Público: tu tava negociando com o Egon?

Intimado(a): não com o Egon. Na verdade eu tava negociando com o Macho aqui, esse, o Flávio.

Ministério Público: e aí porque não deu certo?

Intimado(a): na verdade eles não assumiram o mercado ali, e daí tinha uns carros que eles iam me dar, iam me dar um Astra, um Monza, e mais um valor, e daí no caso era pra me pagar na sexta, e na sexta não apertei daí, vamos dizer assim, que tinha que entrar um valor, que eles disseram que tavam meio mal. Na segunda feira eu liguei só pra ele e perguntei referente aos carros, pegar os carros pra mim, e aquela coisa toda. E daí a filha do Flávio já tava trabalhando comigo, cuidando o mercado, que a princípio ele tinha comprado pra filha dele cuidar, e daí simplesmente de tardezinha ela pegou e me entregou a chave do mercado, seis horas, que era o fechamento, seis, sete horas ali, me entregou a chave que o pai dela não ia conseguir cumprir o negócio. Simples assim.

Ministério Público: Emerson, tá respondendo processo por homicídio dessa [… inaudível]?

Intimado(a): não.

Ministério Público: não?

Intimado(a): não.

Ministério Público: o senhor foi absolvido?

Intimado(a): não, tá correndo uma bronca que nem a minha. A polícia lá me arrumou, dizer que é eu numa tentativa de homicídio.

Ministério Público: tá, mas tu já foi citado?

Intimado(a): fui citado, sim.

Ministério Público: tá respondendo processo?

Intimado(a): sim.

Ministério Público: tá, era isso que eu perguntei. E a condenção era pelo que, por [...inaudível]?

Intimado(a): eu tenho um negócio ali que é um carro clonado que eu comprei uma vez. Fui vítima da compra de um carro.

Juiz: só pra registrar, tem várias… inquérito ali, o apelido Picolézeiro, o senhor tinha falado que tinha uma fábrica de picolé?

Intimado(a): sim, eu tenho a fábrica de picolé.

Ministério Público: tem gente que lhe chama de Picolézeiro?

Intimado(a): sim, sim. Vários me chamam de Picolézeiro. Temo fábrica de picolé em ijuí, Santa Rosa e Santiago.

Ministério Público: tu tá respondendo processo também por porte de arma de fogo?

Intimado(a): sim.

Ministério Público: lá em Taquara?

Intimado(a): não…

Ministério Público: Nova Hartz?

Intimado(a): não, aqui em Ijuí.

Ministério Público: tu fala na comarca de…

Intimado(a): não, é que Nova Hartz é uma cidadezinha pequena, tipo de interior ainda, que o pessoal tem o costume de dar carona, 6 km do centro de um bairrozinho que teve na entrada ali, o pessoal tem o costume de dar carona ali pro pessoal, que tem o ônibus uma vez por dia.  Eu dei carona pra um rapaz que tava na beira da estrada lá, e a Polícia nos abordou, e pegou umas munição com ele. Não arma, umas munição com ele.

Ministério Público: e mais um processo de porte aqui em Ijuí?

Intimado(a): porte sim, aqui em Ijuí, sim. Ali no mercado eles me pegaram com arma.

Ministério Público: dois processos tu tem aqui em Ijuí?

Intimado(a): não.

Ministério Público: consta dois processos.

Intimado(a): não. Só esse porte ali que me pegaram no mercado.

Ministério Público: um de 2015 e um de 2016 aqui em Ijuí, não é isso?

Intimado(a): não, Ijuí a única coisa que tem os negócio do meu irmão, que uma vez tava preso e a polícia bateu na casa… meu irmão morava com nós, ele tava preso, acharam umas munição lá, e botaram que era minha.

Ministério Público: nada mais.

Juiz: dr. Pedro?

Defesa: Emerson, tu acha que o Egon… o Egon também tinha participação nesse negócio do mercado lá, né?

Intimado(a): é, tinha e não tinha…

Defesa: tu acha que ficou alguma mágoa dele contigo, a respeito daquilo lá?

Intimado(a): que que eu vou te dizer, que ele é bem amigo do Flávio…

Defesa: ele costumava… quando você ia ali, negócio de vocês… então você investia ali, dava o dinheiro pra ele…

Intimado(a): o valor. Ele comprava, mandava vim.

Ministério Público: aí vocês resolveram então abrir sociedade, naquele dia vocês tavam retirando o que pertencia a ti, em decorrência dos valores que tu tinha passado…

Intimado(a): é, eu tinha dado um valor pra ele, ele comprou uma leva de peças, e no caso aquelas peças tavam ali, e como ele queria que eu tirasse minhas coisas, porque o irmão dele pediu o pátio, daí no caso pra mim tirar aquilo ali, que ele não tinha dinheiro pra me devolver, do dinheiro que eu tinha investido no negócio, pra mim pegar as mercadorias e pra mim me virar, no caso, que eu tenho bastante carro nas firma de picolé, tanto é que nós conhecemo no ferro velho através dos meus carros, eu toda hora ia comprar peça, que estraga isso e aquilo, e daí começou um tempo, ele não tinha umas peças ali que eu pedia, e eu “que tá acontecendo, tá quebrado?”, e ele “to sem dinheiro pra investir”, “mas daí eu tenho uma fonte boa de peças, se tu tiver dinheiro pra investir” daí eu dava 30% pra ele do que ele vendia, entendeu? Entrava com o valor, investimento, ele comprava as peças, o pátio dele, ele vendia, e ele levava 30% limpo, eu fazia o investimento pra ele, tudo em cima disso aí.

Defesa: mas a tua principal fonte de renda, o sustento da tua família é a fábrica de picolé?

Intimado(a): fábrica de picolé.

Defesa: que agora está fechada em vista?

Intimado(a): em virtude de não tem como…

Defesa: o Egon tinha o hábito de beber, e ele ficava alterado depois da bebida?

Intimado(a): é, não… ele se alterava as vezes, que nem aquele dia, tava tudo tranquilo, ia ali, nós tava, que nem diz o outro, tomando uma cerveja, tava tudo tranquilo, fizemo o acerto tudo certinho, e daí no final ali ele queria me matar. Se eu não mato ele, era ele que tava sentado aqui, não era eu… tal nem taria.

Defesa: nada mais.

Imagens/Fotos: Abel Oliveira / Cópias não autorizadas - Lei nº 9.610/98.

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